Juro que não ia dizer nada ate vê-la em amarelo ovo rajado de verde, tudo compondo um... blazer! Deus, sou certamente uma ser humano pior agora, afinal a trajante não é uma pessoa de todo mal, muitíssimo pelo contrario. Mas.... pra que tanto, céus?? O lap aqui na minha frente e minha pagina ainda pouco rabiscada.... não resisti e não pude deixar de dizer que acho tudo, tudo, absolutamente uma breguice imensa. Em meio a uma repartição inteira de uma verdidão que não me amadurece os olhos, nesse carnaval bicolor, o blazer definitivamente se destacou. O extremo do mau gosto. Brasileiros, porque não se limitar a bandeirinhas esvoaçantes, em zigue zague, ou em forma de “ola” que seja. Mas não... todo mundo resolveu vestir verde. Resolveu cornetar o ouvido uns dos outros e mais ainda os meus.
Não tinha lembrado que por aqui tudo vira circo. Meu defeito e, noutros casos, refinada qualidade é a memória seletiva. Mas devia ter me preparado, voltado meus olhos para a mídia um minuto que fosse dos últimos dias para que pudesse interpretar o que realmente significaria a chegada da Copa. No entanto nao me preparei e agora parece que estou noutro mundo quando escuto de uma senhora respeitável e colega funcionaria que passa pelo corredor, num agudo indomável, que “esta quase na hora”. Hora de que?? Não é minha hora, meu relógio não anda e sequer se sintonizará com esses jogos do Brasil. Na verdade, quisera eu ele pudesse ser parado ou adiantado em FF. Passar o dia em tecla FF, isenta de qualquer sonoridade. Justa utopia seguida da real contagem regressiva para as cornetadas verde amarelas. Pergunta alias que não me deixa, que absorve meus sentidos nesse exato instante. Por que taantas cornetas e apitos? O que muda com essa barulheira toda alem do meu humor? Nunca vi rito tão difuso. Cada vez mais acho que todos os espetáculos atuais são circenses.Agitação em toda parte. O transito caótico nos instantes que antecedem o jogo. Pessoas sorrindo, gritando, com chapéus de bobo da corte verde amarelos e... o pior adereço... o rai do apito na boca. Será que o mencionado chapeuzinho por si só já não explica tudo? (e nao é suficiente?)
O porque da minha revolta sobre tamanha superexploração do tema é justamente esse, o fato de me sentir uma boba (da corte!) ao pensar em me envolver tanto com esse instante de alienação, onde tudo está bem..e quando nem o emprego parece ser tão ruim assim, afinal o patrão liberou para o jogo. Superexploração que me desgasta.. Chego ate a sentir saudade do carnaval, discreto carnaval.
Ainda assustada e focada no blazer amarelo eu ouço:
- Nossa, ela não gosta de futebol.
- Gosto. Nao, gosto sim.. Eu ate jogava quando era mais nova! Defendo-me respondendo com simpatia inerente e evidentemente forcada. - Acho apenas assim... que não precisa de tanta.... fuzarca!
- Ela não é patriota.
Grrr. Aí não! Enfureço-me de uma fúria que se manifesta ainda em um sorriso:
- Patri-o-t-a???? (Agora foram ao limite da alienação. Chamam o fato de torcer para um time imbecil e sem o Adriano de uma ação patriótica? Façam-me o favor.)
- É porque o plantão de fiscalizacao dela caiu nos dias dos jogos, gente.
Silencio.
Costumeiro sorriso sem entretanto o privilegio dos meus dentes.
Seguido de mais silencio.
Necessário entregar o mérito do acerto. Bingo.
E no máximo eu digo “bingo” (!), porque simplesmente me RECUSO a me valer em qualquer nível de expressões futebolísticas. Nunca, mas nunca mesmo, compactuaria com a moda Copa 2010 das ruas inundadas de gente do provinciano espaço público da minha cidade, “a praça pública” daqui, o Alto dos Passos. .... onde terei que estar no dia do jogo, trabalhando e sem sequer poder sociabilizar com umazinha cerveja. Nunca. Nunca afirmaria em grito confesso: “no filó!!”
... Porque se ainda nossas cores fossem de uma combinação mais harmônica.... um fundo marrom com losango branco e bola bege, sei lá... Ando gostando de coisas brancas e beges ultimamente. As estrelinhas poderiam ser douradas.
Loira lindíssima,
ResponderExcluirGostei do blog. Mas qta crítica a uma festa popular. Estas são as melhores. Eh um clamor. Uma alegria onde naum importa classe, credo ou cor.
E na verdade o que está errado naum é a copa, o horário do jogo, a bagunça, os trajes, a buzina e tudo mais. O errado é justamente o trabalho, o compromisso, a labuta que impede estar presente em tamanha festa. kkkkkkk
Bjos Linda!!!