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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

E cada vez que eu tentava materializar os derradeiros passos, pensava: Não é que eu não saiba conviver com as pessoas e não aceite as diferenças. Eu acho.


... E em um momento de olhar esbugalhado largo também os achismos e passo a sentir, enquanto aperto os olhos de convicção, que deve haver pessoas mais parecidas comigo em algum lugar. Certa e obviamente.

Ao que um pensamento me foge saltando um muro para encontrar uma imagem, no interior de um hospício, de um monte de pessoas mais parecidas comigo. Credo, dissolvida a imagem. Projeto logo outra, me imaginando em uma comunidade alternativa. Todos claros e em paz. Lindos, mas não tão parecidos comigo. Visualizo-me então em um grupo de filmagem da faculdade, com diretores barbudos e cinegrafistas tatuados. Ainda lá não me encontro e me desespero voltando os olhos para o espelho. Onde eu estaria então? E pior ainda, onde estariam meus supostos semelhantes? Em um movimento inerente e pessoal me jogo na cama, negando uma possível crise existencial.

Não importa. Não importa onde. Importa é que deve haver. Porque é questão de física, ou química se for para dar um tom mais sensual. Questão de essência, que seja. Afinidade de pensamento. Não dá pra se unir a algo tão diferente. E ensaio um término.

- Desculpe, é que nossas almas tem arestas diferentes demais e o corpo não tem se encaixado, compreende?

- Certo. Vou ilustrar então. Lego, lembra-se? A melhor das diversões na década de....

- Sim, sim! Prazer em achar as formas mais acordadas com o tipo de interesse que norteia sua mente!

- Hm. Decerto compliquei. Mas simplifico, entenda que eu agora quero mais é voltar a brincar de lego.

- Loucura? Deve,deve ser....

- É, do nada. Acordei assim.

Poderia brindar às 8h da manha, sorrindo com um cigarro entre os dedos. Sorrir sutilmente e sem sons enquanto completo o diálogo com um pensamento censurado (só para você).

... é que acordei querendo que alguém me encoste e se sintonize comigo dos pés a cabeça. Isto em um formato pra lá de lúdico. Mais perto do amor. É que hoje eu decidi me abrir, por mim mesma me deixar invadir. Talvez tenha acordado disposta a riscos e a alguns arranhões.

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